domingo, 30 de maio de 2010

Resumo - texto de Orwell

Tem havido uma tendência de desresponsabilizar a sociedade pela decadência da civilização, culpabilizando-se a má utilização da língua como um dos factores mais influentes para a ocorrência desse fenómeno. Neste caso, verifica-se que o declínio da correcção linguística acompanha, quase de forma proporcional, o declínio civilizacional.
No entanto, é um facto que a utilização incorrecta da linguagem é uma das causas para uma decadência social abrangente a várias áreas, entre as quais áreas tão importantes como a economia ou a política. A má utilização da linguagem pode indiciar uma forma errada de pensar, privilegiando o facilitismo á correcção. Este torna-se um mau hábito, mas que pode ser evitado por todos.
Um dos erros comuns encontrados nos textos é serem demasiado vagos, não especificando e aprofundando o assunto o suficiente, acabando por não conseguir transmitir a ideia fundamental do texto. A maior preocupação na construção dos textos é fazer com que as frases pareçam bem, em vez de transmitirem conceitos propriamente ditos. Desta forma os textos são completamente enviesados do seu propósito original, tornando-se antes num conjunto de frases quase estereotipadas, devido aos maus e facilitistas hábitos linguísticos que as pessoas adquirem.
Na sequência disto, deparamo-nos também com a chamada “metáfora moribunda”. Dá-se este nome, já que a utilização da metáfora passou a fazer-se de uma forma tão vulgar e comum, com perda de grande parte do seu significado. De certa forma, passou a utilizar-se a metáfora só porque fica bem e, supostamente, enriquece um texto, quando na verdade acaba por se tornar apenas numa expressão textual desprovida de sentido e que em nada contribui para o desenvolvimento do assunto que o texto trata.
Quanto aos operadores, estes são ferramentas utilizadas na substituição de nomes e verbos, supostamente completando de uma melhor maneira as frases. A questão é conseguir-se manter um nexo na utilização destes, ou as frases acabam por ser demasiado corrompidas, o que produz um efeito contrário ao que seria suposto.
Com frequência recorre-se também a um processo quase elitista de transformação das frases, ou seja, recorre-se a palavras menos usuais e mais eruditas e compostas na construção do texto. Isto, em conjunto com os frequentes estrangeirismos, transformam um texto simples numa amálgama de expressões e frases quase desconexas e desadequadas. Estes factores em muito contribuem para que o resultado final sejam os textos confusos e vagos, dos quais se falou anteriormente.
Um pouco na sequência desta “moda”, deparamo-nos com a deturpação do sentido de algumas palavras que enchem com frequência os textos. Concretamente, ao utilizar determinadas palavras, não se faz necessariamente referência ao seu sentido literal, mas antes á conotação, positiva ou negativa, que estas possam ter. Desta forma o autor pode, deliberadamente introduzir estes truques para compor o texto da forma que lhe for mais conveniente, retirando depois imparcialidade á análise que o leitor irá fazer.

Reflexão: Este foi um dos trabalhos que não entreguei durante o período de avaliação. Percebo agora a sua importância, na medida em que nos ajudava bastante na preparação para o resumo do "tesouro" que foi feito depois. Felizmente, penso ter alguma facilidade em executar este tipo de resumos, mas é sempre importante praticar esta faculdade, na medida em que é crucial saber sintetizar e identificar o mais importante quando observamos um texto. Para além disso,este será um processo que teremos de efectuar repetidamente ao longo da nossa vida profissional.

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