A utilização da Internet levou a uma melhoria da eficiência e profundidade no ensino, no entanto, acabou por provocar também um “boom” no plágio a nível académico. Apesar de os professores disporem de algumas ferramentas para combater este fenómeno, o melhor método passa mesmo por apelar à moral e bom senso dos alunos, recorrendo a diferentes teorias éticas para suportar os seus esforços e colocá-los num verdadeiro dilema ético quando pensam em plagiar. No conjunto destas teorias encontram-se a da deontologia utilitarista, do interesse próprio racional, do Machiavellianismo, entre outras. Posto isto, o objectivo deste texto passa por tentar perceber a justificação ética que os alunos encontram quando ponderam plagiar algo e, de forma mais específica, encontrar as teorias que tanto suportam o acto de plágio, como as que levam ao seguimento das instruções dos docentes. Estes aspectos têm tremenda importância, não só pela perspectiva de dar alguma ajuda e indicar soluções no combate ao plágio, como também para tentar corrigir, desde a idade escolar, comportamentos imorais e desprovidos de ética, que ao manterem-se passariam para o mercado de trabalho e para o seio das organizações.
Num ponto de vista histórico, de forma a contextualizar esta temática, podemos observar que o plágio sempre foi muito mal visto e indesejado nos círculos académicos ocidentais. Surgiram então duas abordagens opostas a esta questão: por um lado Mandall, com uma oposição moral categórica a este tipo de actos, classificando-os como “roubos intelectuais”, por outro surgir Mark Randall, contrapondo o primeiro ao relativizar o acto de plágio, classificando-o como um comportamento “normal” dos alunos de forma a mostrarem a sua revolta contra a hegemonia e comando dos professores e instituições de ensino e, portanto, desculpabilizando este tipo de atitudes.
Mas foi com o aparecimento da prensa (sec. XV) que este tema se tornou mais sério e se modificaram os conceitos de autoria e plágio, sendo pela primeira vez estabelecidos direitos de autor (“Copyright”) em 1662. Como se pode ver, o plágio é um fenómeno já muito antigo, mas foi com a Internet que este atingiu novas proporções. De facto, com esta revolucionária ferramenta, o plágio passou de um acto cuidado e que requeria um certo grau de perícia, para algo bastante acessível e rápido e, em muitos casos, demasiado tentador. Apesar disso, os alunos têm consciência que é um acto incorrecto, arranjando métodos neutralizadores da sua culpa, e que possam desculpabilizá-lo.
À volta deste processo de juízo moral feito pelo aluno foram então deduzidas teorias éticas das quais se destacam seis: Deontologia – baseia-se nas leis e regras e no seu cumprimento. Logo, sendo o plágio contra as regras de, por exemplo, instituições de ensino, este é sem duvida considerado como um acto moralmente errado; Utilitarismo – esta teoria assenta numa reflexão lógica dos prós e dos contras de uma determinada acção, sendo portanto uma filosofia que pode ser abonatória do plágio, sendo que na perspectiva de um aluno o plágio pode trazer-lhe melhores notas sem que ninguém seja prejudicado, tornando-a uma acção beneficiária e, desta forma, enquadrada na ideologia utilitarista; Interesse Próprio Racional – aborda as acções como ferramentas de interesse próprio e de troca na mesma proporção, retribuindo, portanto, a acção de alguém com outra de valor similar. Assim sendo, o plágio poderia ser considerado válido se o indivíduo considerasse que havia pontos que justificassem a sua acção, como a falta de empenho de um professor ou a irrelevância do trabalho que, portanto, não mereçam o empenho do mesmo; Machiavelismo – os apologistas desta doutrina justificam qualquer acção com o seu próprio ganho, não se interessando pelos outros. Desde que uma acção os beneficie então o valor moral desta é completamente irrelevante, sendo levada a cabo sempre que surjam oportunidades; Relativismo Cultural – tendo os seus alicerces no contexto cultural de cada um, o plágio poderá encontrar refúgio nos seguidores desta linha de ideias se o seu passado cultural e educacional não for punitivo em relação a este. Para diferentes culturas, diferentes regras; Éticas contingentes ou situacionais – a situação específica pode afectar o dilema ético em que o aluno se vê, escapado geralmente para justificações que estão fora do seu controlo.
Após feito um estudo sobre o plágio nos sistemas de ensino, estas seis teorias foram evocadas pelos alunos, com uma grande maioria a admitir o seu erro e a desculpar-se por tê-lo feito (deontologia). Deste estudo foram também analisadas outras variáveis que pudessem afectar o acto/ou não de plágio, como o sexo, a etnia, a escola, entre outras.
Reflexão: Este trabalho foi uma verdadeira provação á capacidade analítica. Foi de facto um pouco extenuante conseguir reduzir um texto tão extenso apenas para uma página, no entanto penso que o resultado final foi positivo. Não só senti que consegui desenvolver bem a actividade, como foi bom perceber que mesmo com um trabalho exigente o resultado final foi positivo. Numa nota final um pouco mais leve, quase que se pode dizer que este trabalho também desenvolve algum espírito de sacrifício, que pelo menos por mim foi sentido. Por fim, achei também curioso o texto abordar o tema do plágio, sendo esse um item tão discutido hoje em dia nas escolas e universidades, e acima de tudo uma realidade para estudantes como nós.
domingo, 30 de maio de 2010
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